Muitos pais se queixam de que seus filhos não os escutam, de que não é possível ter um diálogo. Uma comunicação acaba sendo difícil não só para os pais dos adolescentes, mas também para as crianças de 2-3 anos. Em particular nesta faixa etária, existe o que é conhecido na literatura pela “idade da oposição”. Muitos pais ficam desorientados quando o que eles fazem com tanto carinho é recusado de imediato pelo filho. Por mais que os pais tenham as melhores intenções de fazer diferente do que lhes foi transmitido quando eram crianças, acabam tomando um “balde de água fria”. Na verdade, esses pais percebem o quanto é difícil ser pai ou mãe com qualidade, podendo ficar tranquilos em qualquer adversidade.
Hoje, muito se fala de parentalidade positiva, de comunicação não violenta e de técnicas educativas para melhorar a comunicação entre pais e filhos. Os pais são constantemente lembrados de que precisam melhorar emocionalmente para alcançarem uma serenidade familiar.
É verdade que, quanto mais aprendemos sobre o assunto, mais percebemos que ainda podemos progredir. É como se tivesse faltado em nossa educação algumas aulas para se ter uma boa comunicação. Poderíamos ter melhor acesso aos nossos filhos se simplesmente pudéssemos falar e escutar de forma diferente com eles. Adele Faber e Elaine Mazlish, autoras de livros sobre a comunicação entre pais e filhos, nos convidam a utilizar ferramentas ou “habilidades” que ajudam a resolver problemas encontrados em qualquer relacionamento a fim de aceitar os sentimentos da criança e reconhecer as necessidades do outro. De acordo com esse processo, o adulto permite que a criança desenvolva sua sensibilidade, sua autonomia, o respeito aos outros para se tornar uma pessoa plenamente humana.
Seria bom se conseguíssemos ser plenos enquanto pais, mas não é isso o que acontece com a maioria dos pais (mesmo os bem intencionados). No final, como lição, o mais importante para os pais seria saber lidar com as frustrações “de errar como pais”. Uma parentalidade com qualidade é aquela real, na qual o pai e mãe não abandonam os seus papeis e continuam mesmo nos conflitos, se esforçando para fazer o melhor possível.
Fique tranquilo se você, pai ou mãe, estiver lendo um texto sobre parentalidade para melhorar o que você já está fazendo, isto quer dizer que você está sendo mais que um ótimo pai ou mãe, você está acima de tudo, sendo humano. Errar é normal, o importante é a aceitação dos erros para uma eventual superação e não ficar se autoflagelando, nem ficar estagnado, nem alienado.
A parentalidade é muito mais difícil do que possamos imaginar (por isso podemos nos preparar mesmo durante a gravidez) e para que tenhamos uma serenidade familiar, precisamos dar o “primeiro passo” de assumir que precisamos de ajuda. O NaSeres é um espaço para que você possa se sentir acolhido, sem julgamento e de forma ética.