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Parentalidade ponderada

Nas gerações anteriores, a educação parental era muito baseada no medo, as crianças não podiam expressar suas vontades e opiniões que fossem diferentes dos seus pais, pois logo poderiam ser agredidas verbalmente ou até fisicamente. Ser obediente era respeitar “cegamente” o que os pais e/ou os educadores mandavam. Nos anos 60 e 70, alguns autores como Piaget, Wallon, e Françoise Dolto destacaram as habilidades de bebês e crianças. Estas já não eram apenas vistas como mini adultos, mas tinham vontades próprias, desenvolvimento particular e desde muito cedo estavam em comunicação com seus interlocutores.

Com o passar do tempo, a educação parental foi se modernizando, a criança passou a ser ouvida, levada em consideração e acolhida em seus direitos. Desde 1990, no Brasil, as crianças e adolescentes passaram a ser efetivamente vistos como “sujeitos de direitos” por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um conjunto de leis específicas para cuidar dos jovens menores de 18 anos. Decorrente da maior preocupação com o desenvolvimento infantil, existe hoje uma nova forma de educar. Atualmente fala-se muito em “parentalidade positiva” que é uma forma de construir uma comunicação positiva nas relações pais-filhos.

A “parentalidade positiva” tornou-se uma forma indiscutível de tratar a criança com cuidado e respeito. No entanto, alguns pais, com medo de serem violentos e agressivos em relação aos seus filhos, acabam sendo negligentes com o dever de estabelecer regras e limites. O laxismo/permissividade e a negligência são associados muitas vezes a famílias com níveis socioeconômicos mais baixos como já foi mostrado por alguns estudos. Alguns pais tem receio de impor limites, não somente por medo, mas também pela falta de referências. Muitos pais, por não terem tido um modelo de pais como referência, sentem-se perdidos na hora de educar seus filhos. Eles querem educar de forma diferente do que foram educados, mas não sabem por onde começar. A forma da educação positiva, para tratar a criança no cotidiano é clara, mas peca na falta de diretivas para que a criança possa lidar com a frustração. Os pais acabam assim, independentemente de seu estatuto socioeconômico, não sabendo lidar com o “não” de seus filhos.

Alguns autores franceses como: Pleux, Halmos e Goldman, não são contra a “parentalidade positiva”, mas querem lembrar aos pais que nem tudo é positivo, numa relação entre pais e filhos sempre vão existir conflitos e, saber lidar com eles de uma forma equilibrada é uma tarefa complexa. Nem toda educação vai ser na base da conversa, haverá momentos em que uma repressão será necessária. E nem tudo o que reprime é negativo, basta ter em mente que a educação parental não pode e nem deve ser realizada de forma violenta e humilhante.

Para que os pais possam se sentir dignos de suas autoridades na educação de crianças que, se tornarão adultos conscientes de que não podem tudo e que nem todos vão falar com eles de forma positiva, será necessária uma nova parentalidade, a ponderada. Aquela que é real porque, na educação das crianças, nem sempre é possível ter o controle de suas emoções e, nem por isso os adultos precisam se sentir culpados. É duro ser bebê, mas também é muito duro ser pais. E nada mais tranquilizante que saber que podemos contar com uma ajuda externa como a oferecida pelo NaSeres, neste árduo e gratificante papel que é a parentalidade.