Blog

Burn-out parental

O esgotamento mental afeta cada vez mais os pais. Esse esgotamento seria caracterizado por fatores de exaustão física e mental (noites mal dormidas, fadiga extrema e alterações de humor), distanciamento emocional (negligência, irritabilidade extrema e isolamento progressivo) e perda de eficiência do papel parental (preocupações, culpa, ações no modo piloto automático e até violência em casos extremos). O burn-out parental é diferente da depressão porque é um fenômeno contextualizado, enquanto na depressão o esgotamento atinge todas as esferas da vida (privada, profissional e social). Na verdade, um esgotamento na esfera parental pode, enfim, levar a uma depressão.

No entanto, esse distúrbio psicológico permanece desconhecido, até mesmo um tabu sendo raramente diagnosticado como tal. Um estudo realizado na Bélgica pela UCLouvain, mostra que 5 a 8% dos pais encontram-se atualmente em situação de burnout parental. Esse estresse parental crônico afeta mais as mães, mas os pais também são afetados. Assim, os pesquisadores estimam que entre aqueles que sofrem com esse esgotamento, dois terços dos casos são mulheres e um terço homens.

Embora este fenômeno seja mais destacado hoje por causa dos pais passarem mais tempo com seus filhos devido ao confinamento, Liliane Holstein, autora do livro “Burn-out parental”, explica que desde os anos 1980-1990 essa síndrome está aumentando porque o lugar da criança é “primordial”, ela merece toda a atenção para ser bem desenvolvida, mas toda essa pressão da parentalidade perfeita tem efeitos deletérios para a saúde das crianças.

Além disso, nem todos os países são afetados da mesma forma. Os países ocidentais, “muitas vezes mais individualistas”, são os mais afetados, de acordo com um estudo de classe mundial. A extensão do esgotamento parental varia de acordo com as culturas dos países? Essa questão está no cerne do primeiro estudo internacional de 2021 sobre o assunto, para o qual centenas de pesquisadores de 42 países se mobilizaram. Os resultados desta pesquisa foram claros: “Os países ocidentais, ricos e individualistas, que têm em média poucos filhos, são os mais afetados pelo fenômeno”, explicam as autoras da pesquisa Isabelle Roskam e Moïra Mikolojaczak. “A prevalência varia muito de cultura e de país para país. Nossos países individualistas estimulam o culto ao desempenho e ao perfeccionismo, tornando a paternidade uma atividade muito solitária, ao contrário dos países africanos mais coletivistas, por exemplo”.

Além dos fatores estressores comuns à parentalidade perfeita, acrescentam-se outros fatores estressores ligados à expatriação, como o distanciamento da família, isolamento social, preocupações com o futuro, laços fragilizados, perda de estatuto social e vínculos sociais, entre outros fatores que representam uma carga suplementar de estresse na educação dos filhos. Por mais que muitos pais conscientemente queiram oferecer melhores condições de vida para seus filhos, emocionalmente eles não conseguem, porque em muitos casos nem eles mesmos têm consciência do esgotamento mental pelo qual estão passando. Muitos pais se sentem presos nesta situação já que não tem como escapar da paternidade, aumentando os vícios, problemas de sono e de apetite.

No final, não existem crianças felizes com pais esgotados. O que você acha de falar abertamente sobre seus sentimentos e pensamentos em grupos de apoio? Segundo os estudos sobre como tratar o burn-out parental, o melhor remédio é identificar o problema e falar com pessoas reais em seu entorno, mesmo em grupos de apoio virtuais como é o NaSeres.