Para sobrevivermos precisamos nos apegar a alguém. Segundo Bowlby (1957), a tendência ao apego é um requisito necessário para promover a sobrevivência da espécie. Mais precisamente, “comportamentos de apego” como; chorar, agarrar-se, sorrir, seguir ou qualquer outro comportamento que promova a proximidade com um determinado adulto seriam tendências inatas.
Mesmo nos animais podemos observar a necessidade de se apegar a alguém. Por exemplo, os gansos tendem a seguir um objeto em movimento, que geralmente é a mãe, mas que também pode ser um ser humano (Lorenz, 1935/1957).
Outro experimento interessante com os animais foi realizado pelo psicólogo experimental americano Harry Harlow (1958). Depois de observar um comportamento curioso em macacos jovens, separados de suas mães poucas horas após o nascimento, Harlow concebeu o que se tornaria um dos experimentos mais famosos da psicologia. Ele ficou surpreso ao descobrir que esses bebês macacos tendiam a se agarrar à camada de tecido felpudo que cobria o chão de sua gaiola. Para saber mais, ele realizou um experimento em dois grupos de quatro macacos bebês. Cada um foi trancado em uma gaiola, na presença de dois manequins atuando como substitutos maternos. Um deles era feito de madeira, envolto por esponja e coberto com tecido de algodão, o outro era apenas feito de arame.
Fora isso, os substitutos maternos eram semelhantes: ambos emitiam o calor de uma lâmpada ligada a eles e cada um tinha um rosto redondo de madeira com dois grandes olhos desenhados. Para um dos dois grupos, o substituto de tecido estava equipado com uma mamadeira cheia de leite e para o outro grupo, era o substituto de ferro que segurava a mamadeira.
As observações mostraram que, independentemente do substituto ao qual a garrafa estava presa, todos os macacos passaram a maior parte do tempo agarrados ao manequim coberto de tecido. Embora o substituto fosse inteiramente passivo, eles pareciam se confortar. E quando novos objetos foram introduzidos em sua gaiola, os macacos correram para essa mãe substituta e, uma vez tranquilizados, gradualmente se aventuraram a explorar esses objetos desconhecidos. No entanto, se dispunham apenas do substituto metálico, manifestavam um estado de pânico, com gritos, retraimento, balançando e chupando as mãos e os pés.
Sentir-se acolhido é essencial para qualquer animal. No caso dos humanos, o que acontece para o bebê quando sua mãe fica impossibilitada (depressão pós-parto, transtornos psicológicos ou estresses) de acolhê-lo? Alguns estudos destacam o efeito dos fatores de estresse sobre a capacidade de cuidar. Eventos de vida negativos, como desemprego, doença, baixo nível socioeconômico, estresse interpessoal como conflito conjugal, falta de aliança dos pais enfraqueceriam a capacidade da mãe de cuidar do filho e influenciariam o processo de apego e consequentemente do sentimento de segurança da criança perante a ela mesma e aos outros ao seu redor.
Desde o nascimento, a mãe deveria ser uma base tranquilizadora para a criança, pois ela já a conhece pela voz, pelo olfato e por outras modalidades sensoriais. Esse conhecimento constitui um primeiro suporte, sustentando sua curiosidade pelo desconhecido. Graças ao clima de confiança que a mãe estabelece e graças ao apoio ativo que ela fornece, o bebê pode explorar desde o nascimento, bem antes de poder se mover. Dependendo das situações em que se encontra, o bebê sentirá curiosidade ou apreensão e dependendo das reações da mãe, essa experiência será reconhecida como mais ou menos válida. Isso, pode contribuir para o estabelecimento de certos estilos de reações. O ideal para a criança é encontrar um equilíbrio entre a exploração e a busca de segurança.
Para concluir, ainda que o apego seja algo inato, se uma criança não tiver esse apego seguro por parte de mãe, pai ou qualquer cuidador, não quer dizer que quando adulta ela não poderá criar vínculos. Isto vai depender dela ter coragem para procurar a ajuda de um profissional. Através de um “acolhimento seguro” com um psicoterapeuta, alguns laços precários construídos na infância serão elaborados e transformados para que esta pessoa possa se sentir mais confiante.