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Abuso psicológico parental

Temos ainda em mente que os pais são os cuidadores insubstituíveis e que protegerão seus filhos em qualquer situação, mas isso não é bem o que acontece na realidade, existem pais de todos os tipos, incluindo-se os que por incapacidade emocional ou por algum transtorno mental (depressão, de personalidade ou neurológico) não estão aptos a exercer o papel da parentalidade.

Ainda hoje existe a imagem idealizada de que o amor dos pais pelos filhos é incondicional, instintivo e sem nenhuma expectativa, que nenhuma mãe/pai abandonaria seus filhos, praticaria maus-tratos ou seria negligente. O amor dos pais  pelos filhos é um amor como qualquer outro e que demanda esforços diários de compreensão, presença, participação emocional, financeira e de cuidados. O amor não surge do nada, não é porque temos um filho que o amor irá instantaneamente surgir e tudo magicamente se curará e entrará nos eixos. Na verdade, se no passado esse amor não foi transmitido pelos nossos pais, o amor por si e pelos outros por consequência será muito mais difícil de ser encarnado e elaborado. No entanto, podemos aprender a amar, mesmo que não tenhamos experienciado o amor desde o berço. É, no entanto, um processo para ser trabalhado em terapia pessoal ou em um grupo como é oferecido pelo NaSeres.

Às vezes, um pai ou uma mãe pensam que amam o seu filho, mas estão constantemente controlando o lugar onde ele está, ou dando objetos ao invés de estarem presentes, ou ainda constantemente ansiosos com relação ao futuro de seu filho, pensando se ele irá ser capaz ou não de realizar suas atividades sozinho. Poderíamos até pensar que isso seria uma forma de amor, mas tudo o que é exagero, também é nocivo, o controle que pensamos poder exercer sobre os outros e a nós mesmos conota uma forma de abuso psicológico. Esta forma de abuso pode ser consciente, fazer de tudo para minar a saúde mental do outro ou ser de forma sutil como, por exemplo, querer controlar tudo e todos ao seu redor. O controle excessivo pode ser visto como uma forma de manipulação, uma dificuldade imensa em acreditar que o outro pode ser diferente de mim e de enxergar que o outro possa ter opiniões contrárias e simplesmente ser diferente. O abuso psicológico inconsciente (aquele que às vezes é praticado sem se dar conta) pode ser ainda mais perigoso porque ele é nocivo ao outro e a pessoa abusadora (pai ou mãe) tem a impressão de estar fazendo o melhor possível para o seu filho. Além disso, esta mãe ou este pai não vão entender o motivo das agressões e da rebeldia do filho em idade mais avançada quando ele começar a perceber o tamanho da “teia de aranha” na qual está preso.

A criança é indefesa, ela ainda não se dá conta dos maus-tratos ou do abuso psicológico (consciente e/ou inconsciente) que ela pode estar sofrendo, mas cabe aos outros; familiares, professores ou instituições de apoio, o dever de cuidar e ter atitudes face a uma situação de violência psicológica.

Temos a tendência de deixar para ver como a situação vai ficar, ou de não nos intrometermos na situação, deixando para a própria família resolver, mas o caso de maus-tratos dos pais para com os filhos não precisa ser tabu e pode ser falado e exposto. Quanto mais ativos formos, maiores serão as chances de estarmos prevenindo o futuro das crianças para que elas possam crescer de forma harmoniosa e saudável (antes de tudo emocionalmente).

Às vezes, nem percebemos que os maus-tratos (não somente os físicos, mas também os emocionais: desprezo, comentários depreciativos, escárnio, xingamentos, ausência, manipulação e etc) podem ser transmitidos de uma geração a outra, para que tenhamos uma prevenção de práticas abusivas (até mesmo a inconsciente) é necessário uma preparação. Antes mesmo de termos um bebê, podemos nos preparar emocionalmente para a chegada do filho real que é bem diferente do idealizado.